Vera Cordeiro

vera-cordeiro menorSaúde Criança / Brasil – www.saudeecrianca.com.br

A pediatra carioca notou que, tanto ou mais assustador que um diagnóstico de uma doença grave para a família, era o momento da alta. Como é que essa família pobre iria cuidar de uma criança com leucemia numa casa em que chove dentro? Ou onde não há água tratada? Como ter certeza de que a família teria dinheiro para a condução para levar o doente às sessões de quimioterapia?

Vera, depois de ter vendido muitos objetos e móveis pessoais para ajudar algumas dessas mães, elaborou um projeto (que muitos desacreditavam achando que era “de governo”): nasceu, em 1991, o Saúde Criança, organização social que visa reestruturar e promover a autossustentação das famílias de crianças em risco social.

No final do ano passado, a ONG foi considerada a melhor da América Latina (em uma lista com mil organizações não-governamentais) e a 38ª do mundo, pela revista suíça A Global Journal, veículo dedicado à governança global, que utiliza os seguintes critérios para a avaliação – inovação, impacto, eficiência, estratégia, gerenciamento de finanças, transparência, sustentabilidade e reconhecimento.

O que faz o Saúde Criança

A Associação Saúde Criança (ASC), por meio do Plano de Ação Familiar (PAF), atua no ciclo vicioso miséria – doença – internação – alta – reinternação – morte que ocorria em função da extrema pobreza em que vivem muitas das crianças que passam por atendimento hospitalar. A situação se agrava quando suas mães deixam sua função geradora de renda para cuidarem dos filhos doentes. Em muitas delas os pais das crianças não fazem mais parte do núcleo familiar. A metodologia da associação consiste em não dar alta sem um acompanhamento das condições que cercam a criança.

O que Vera Cordeiro diz em Quem se Importa

“Aprendemos a metodologia ouvindo quem servíamos, que nada mais é que ajudar a família a pensar na sua própria vida e, por dois anos, se organizar em cinco áreas: saúde, educação, moradia, cidadania e auto-sustento”.

“Quando o cidadão comum diz ‘chega! Nesse planeta eu não vivo!’.. e ‘chega!’ não é um ‘chega!’, e eu fico acomodado; é ‘chega! Eu vou fundar!’, ‘Chega! Eu vou fazer!’. Não importa se ele faz para ajudar quatro pessoas ou para ajudar mil; importa o sentimento que está por trás”.

“Quando a gente pensa em mudar o mundo, a gente sempre pensa em grandes milagres, em grandes somas de recursos, em novas tecnologias. Nós não precisamos disso”.

“Quando eu tenho que dizer rapidamente o que que é a organização, qual é o know-how da gente, eu digo: ‘é transformar miserável em pobre’”.