Setor social

Os conceitos são novos e ainda se misturam. Afinal, qual é o nome que se dá para um rico empresário que decide doar toda sua fortuna para desenvolver o setor social? Ou para um ativista que de tanto protestar inicia um movimento que acaba mudando tudo ao seu redor? Afinal, quem é o empreendedor social?

Trecho da narração de RODRIGO SANTORO para o filme QUEM SE IMPORTA.

O Empreendedorismos Social é muito recente.  Há 30 ou 40 anos atrás quase não ouvíamos falar sobre SETOR SOCIAL, SUSTENTABILIDADE, ONGs e todos os novos termos tão comuns hoje em dia.

Isso porque nas últimas 3 ou 4 décadas o setor social cresceu enormemente. David Bornstein, autor de COMO MUDAR O MUNDO, acredita que existem algumas razões históricas que propiciaram esse crescimento. Entre elas:

  • Mas de 90 países saíram de sistemas de absolutismo, aparteid ou ditaduras, para tornarem-se democracias. E o chamado SETOR CIDADÃO só pode florescer num sistema democrático.
  • No mundo todo, houve um aumento da classe média com mais acesso à educação e à saúde.
  • O aparecimento da internet conectou mais de 2 bilhões de pessoas e com isso mais indivíduos estão mais bem informados sobre os problemas sociais ao seu redor.
  • E por fim, a maioria de nós parou de acreditar que são os governos e as autoridade sozinhas é que vão dar conta de resolver os maiores desafios da humanidade. Hoje sabemos que só com o casamento dos setores social, privado e público é que conseguiremos dar conta dos maiores problemas do mundo.

E isso tudo é tão recente que a todo momento surgem novos conceitos e novos nomes para definir o que está acontecento. Segundo Bill Drayton estamos caminhando para UM MUNDO ONDE TODOS SEREMOS TRANSFORMADORES.

Ativista, Líder Social, Empreendedor Social, Transformador, Agente de Mudanças… Enfim, novos nomes para um mesmo espírito que define o TRANSFORMADOR:

Uma pessoa que parou de reclamar, resolveu arregaçar as mangas e fazer as coisas acontecerem!

Algumas pessoas chamam as orgaizações sociais de ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS, ou ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS. Bill Drayton prefere o termo SETOR CIDADÃO:

Você não pode descrever metade das operações mundiais pelo que elas não são. Isso é loucura. É baseado na história dos americanos vendo algo novo que eles não compreendiam e se perguntavam: “por que essas pessoas não são do mundo dos negócios?”. E virou: sem fins lucrativos. E os europeus dizendo: “o que é isso? Por que não é estatal?”. Isto é, não governamental ou ONG. E ambas essas denominações são bastante destrutivas.

Nós não somos um não-alguma-coisa. Nós somos cidadãos causando mudanças em grande escala, na qual a mais importante delas é a multiplicação de agentes de mudanças ou cidadãos.

Poderíamos apontar alguns vetores do Setor Social:

  • Com  certeza o mais importante são as redes sociais como coordenadoras de MOVIMENTOS que começam de uma ou mais pessoas e se espalham sem que hajam líderes ou heróis, mas sim a sociedade gerindo MOVIMENTOS que engajam a todos em torno de uma causa ou até de um descontamento generalizado, como o que ocorreu em junho e julho no Brasil.
  • O empreendedorismo social e as organizações montadas por líderes ou grupos de pessoas que querem mudar o mundo.
  • O Voluntariado e a Filantropia, sendo que hoje em dia não existem mais mecenas que simplesmente jogam $ em causas sociais sem preocupação com métrica de resultados.
  • E talvez o principal que é o aparecimento do que Yunus chama de Negócios Sociais.

Emprendedorismo Social

Além dos exemplos de empreendedores sociais retratados no filmes QUEM SE IMPORTA, milhares de pessoas estão causando mudanças sociais ao redor do mundo. Com ideias brilhantes de alto impacto e baixo custo, estas pessoas conseguem perceber o que a sociedade precisa naquele dado momento, e agem para mudar.

O empreendedorismo social se refere aos trabalhos realizados pelo empreendedor social, pessoa que reconhece problemas sociais e tenta utilizar ferramentas empreendedoras para resolvê-los. Difere do empreendedorismo tradicional, pois tenta maximizar retornos sociais ao invés de maximizar o lucro.

De maneira mais ampla, o termo pode se referir a qualquer iniciativa empreendedora feita com o intuito de avançar causas sociais e ambientais. Essa iniciativa pode ser com ou sem fins lucrativos, englobando tanto a criação de um centro de saúde com fins lucrativos em uma aldeia onde não exista nenhuma assistência à saúde, como a distribuição de remedios gratuitos para a população pobre.

O empreendedor social e o empreendedor de negócios tem características em comum, como busca pela inovação, a visão de futuro ou não desistir antes de ver sua ideia implementada. Este espírito empreendedor agora é muito valorizado também na área social.

“Eles não querem dar um peixe para as pessoas ou mesmo ensiná-las a pescar. Querem mudar a indústria da pesca”, diz Bill Drayton, fundador da Ashoka, considerado o “pai” do conceito de “empreendedor social”.

Negócios Sociais

Empresas que, por meio da sua atividade principal, oferecem intencionalmente soluções para problemas da população de baixa renda.

O que caracteriza um negócio social?

  • Vende um produto ou serviço que contribui para melhorar a qualidade de vida da população de baixa renda;
  • Esse produto ou serviço principal é capaz de sustentar financeiramente a empresa, de forma que ela não dependa de doações ou captação de recursos para as suas operações;
  • Apresenta inovação no modelo de negócio (por exemplo, no modelo de distribuição, no produto ou serviço, no sistema de precificação);
  • Tem potencial de alcançar escala e opera de maneira eficiente;
  • Há comprometimento do empreendedor e sua equipe em melhorar a qualidade de vida da população de baixa renda.

Como geram impacto social?

  • Atendem necessidades básicas da base da pirâmide (acesso a serviços básicos como saúde, habitação e educação a baixo custo e alta qualidade);
  • Possibilitam acesso a produtos e serviços que melhoram a produtividade ou reduzem os custos de transação da população de baixa renda (como serviços financeiros, tecnologias que aumentem a produtividade de pequenos empreendedores, entre outros);
  • Incluem pessoas marginalizadas na cadeia de valor, como fornecedores ou produtores, de forma que a inclusão é necessária para a operação do negócio.

Como negócios sociais se diferenciam de:

  • Negócios tradicionais: por terem a finalidade de gerar impacto social e o comprometimento com a melhoria de qualidade de vida do público alvo.
  • ONGs tradicionais com atividades de geração de renda: por serem sustentáveis financeiramente e terem alto potencial de escala. Diferente de ONGs com geração de renda, em um negócio social o produto ou serviço que gera impacto social é o mesmo que gera renda para a organização.
  • Empresas com ações de responsabilidade social: por terem um modelo integrado, no qual o impacto social está no centro da operação do negócio, não marginal a ela.
  • Empresas que vendem para as classes CDE: por terem comprometimento em desenvolver produtos e serviços que realmente atendam às necessidades básicas dessa população, e melhorar a sua qualidade de vida de forma inovadora.

saiba mais em: http://www.artemisia.org.br/entenda_o_conceito.php

Voluntariado

Ser voluntário é doar seu tempo, trabalho e talento para causas de interesse social e comunitário e com isso melhorar a qualidade de vida da comunidade.

Existem diversas formas e oportunidades de participaçao, presencialmente ou a distância:

  • Realizando açoes individuais – Por exemplo: profissionais liberais (médicos, advogados etc.) que atendem a uma organizaçao social ou pessoas carentes, ou outras iniciativas como estimular matrículas de crianças em escolas, alfabetizar adultos, doar sangue, dar aulas de artesanato, incentivar a coleta seletiva de lixo.
  • Participando de campanhas – Por exemplo: as campanhas de doaçao de sangue, de coleta de livros, de brinquedos, de alimentos, de reciclagem de lixo, do trote cidadao, pela paz, pelo voto consciente, entre outras.
  • Juntando-se a grupos comunitários – Apoiar a escola pública local, a associaçao de moradores ou atuando em alguma necessidade específica da comunidade como urbanizaçao, saneamento e saúde, etc.
  • Trabalhando em Organizaçoes Sociais – que atuam em diferentes causas e oferecem inúmeras oportunidades nas áreas da saúde, assistencia social, educaçao, cidadania, cultura, meio ambiente.
  • Participando de Projetos Públicos – Trabalhando junto as diversas secretarias municipais e estaduais que visam a melhoria da cidade e das condiçoes de vida da comunidade.
  • Sendo Voluntário em Escolas – Procurar alguma escola pública ou particular. Participar da Associaçao de Pais e Mestres da escola de seus filhos ou de outros projetos ligados ao voluntariado, por exemplo, Escola da Família que funciona nos finais de semana em todo o Estado de Sao Paulo.

Saiba mais em : http://www.voluntariado.org.br/default.php?p=oqueeservoluntario.php#topo

Filantropia

Agora, os grandes financiadores não querem ser mais apenas doadores de dinheiro para as ONGs. Querem acompanhar de perto os resultados e ajudar a aumentar o impacto social dos empreendimentos. De acordo com Drayton, da Ashoka, o setor privado desenvolveu uma cultura empreendedora e competitiva que permite ganhos de produtividade, enquanto o setor social ficou para trás. Hoje, ele tenta recuperar o terreno perdido. “A filantropia é uma daquelas palavras que vamos parar de usar em dez ou 15 anos”, diz. “As fronteiras entre o setor privado e o setor social estão entrando em colapso.” Sinal disso é o crescente número de profissionais que se interessam pelas oportunidades abertas pelo Terceiro Setor.  José Fucs – A nova face da filantropia – Revista Época.